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Não dê voz à idiotas

Não dê voz à idiotas

April 9, 2026

Grande parte da chamada “blogosfera masculina” construiu um vocabulário próprio para explicar comportamentos — especialmente no campo afetivo e social. Um dos exemplos mais populares é a ideia do hamster da racionalização feminino, frequentemente descrita de forma caricata e reduzida a um único grupo. É um modo efetivo e engraçado de se explicar como uma mulher pensa. E Eu não acho ruim discutir sobre, a não ser que seja com o público errado, em contas abertas, e claro, com o objetivo de disseminar a ideia errada de que somente as mulheres são “femoids controladas pelo sistema”.

Embora exista algum valor em tentar nomear padrões de comportamento, o problema começa quando essas explicações deixam de ser ferramentas de análise e passam a ser usadas como muletas emocionais ou como forma de generalização simplista.

Nos últimos anos, esse tipo de discurso tem se espalhado de maneira desordenada, principalmente em redes sociais de formato curto, onde a complexidade é sacrificada em favor de impacto imediato. O resultado é previsível: mais reação do que reflexão, mais ruído do que entendimento.

O efeito prático disso não é esclarecer, mas distorcer. Em vez de ajudar indivíduos a tomarem decisões melhores — como escolher melhor seus relacionamentos ou filtrar seu ambiente social — muitos acabam presos em ciclos de reclamação, externalização de culpa e conflitos improdutivos. A revolta do público é perceptível. Mas é desproporcional aos boatos que escutam. E boa parte disso, vem de diversas pessoas que mal sequer interagem umas com as outras, vendendo ideias fatalistas de no máximo 280 caractéres no https://x.com.

É de suma importância compreender que a subjetividade alheia nos debates inconsequentes da internet — não ajudam os leitores de forma alguma a evitar falhas no comportamento feminino. Muito menos combater essa ansiedade histérica de encontrar uma mulher de valor ideal. Digo isso porque este texto é uma mensagem para o público masculino. Nenhum tweet ou blog vai criar uma solução universal para esse desespero causado por vocês. Principalmente vindo de solipsistas que aparecem frequentemente comentando sobre hipergamia feminina sem nenhum objetivo. Todos são puro suco de auto-ajuda e engajamento para florescer desespero coletivo. Não é atoa que estão nas redes sociais. A impressão que tenho é que Joes em seus quartos adotaram uma persona máscula de um Rambo dos Teclados à fim de criticar suas experiências negativas com mulheres em seus perfis pessoais por pura falta de pragmatismo e virtude. Sério, parece um extrato de hormônios ou um aglomerado de menores de idade.

Auto-ajuda ou Autonomia, você escolhe

Vivemos em um ambiente saturado de opiniões, estímulos e expectativas conflitantes. As redes sociais, que prometiam ampliar o acesso à informação e às conexões humanas, frequentemente produzem o efeito oposto: dispersão, ansiedade e perda de direção individual.

É muito engraçado que comumente vejo pessoas brincando de profetizar um fim civilizacional, quando mal conseguem mitigar o próprio risco de cair em abordagens hipócritas e obsoletas. Essas analogias — de um hamster hipotético qualquer que supostamente só habitaria na amígdala das fêmeas — é só mais uma fantasia com contraste cômico virtual. Analogias são figuras de linguagem e por isso podem ser usadas tanto contra ou a favor de ambos os sexos. O intuito sempre é não perder a graça.

Diante desse cenário, muitos indivíduos passam a sentir um desconforto constante — não necessariamente por falta de opções, mas pelo excesso de influências irrelevantes que competem pela sua atenção, seu tempo e, em última instância, pelo seu próprio critério de valor.

Este texto propõe dois movimentos simples, porém estruturais: primeiro, a eliminação consciente do ruído que não contribui para o seu crescimento; segundo, a compreensão de como o livre mercado — entendido como sistema de trocas voluntárias — pode servir como ferramenta para organizar suas prioridades reais, tanto materiais quanto subjetivas.

Não se trata de rejeitar a modernidade ou idealizar isolamento, mas de recuperar autonomia sobre aquilo que você consome, valoriza e busca construir.

Primeiro passo: Blacklist noise

Falar abertamente sobre comportamento humano, relações e dinâmicas entre homens e mulheres em ambientes públicos — especialmente nas redes sociais — raramente produz clareza. Pelo contrário: quanto mais exposto e simplificado o debate, maior a tendência de distorção, reação emocional e interpretações superficiais.

Plataformas abertas operam sob lógica de visibilidade e impacto rápido, não de precisão. Nesse contexto, ideias complexas são frequentemente reduzidas a frases curtas, rótulos ou provocações (veja os debates do Red Cast por exemplo). O resultado é previsível: discussões que poderiam ser úteis acabam transformadas em conflitos estéreis, onde o objetivo deixa de ser compreender e passa a ser reagir.

Além disso, a forma como muitos desses temas são apresentados contribui para o problema. Generalizações amplas, linguagem agressiva ou termos depreciativos tendem a acionar mecanismos de rejeição imediata — tanto por parte do público quanto das próprias plataformas, que moderam conteúdo com base em risco de conflito ou ofensa.

Isso cria um efeito duplo: de um lado, indivíduos que tentam discutir experiências reais acabam sendo rapidamente rotulados ou limitados; de outro, muitos passam a adotar posturas cada vez mais reativas, reforçando exatamente o ciclo que dizem criticar. O ponto central não é evitar o tema, mas entender o ambiente. Nem toda reflexão deve ser feita em praça pública, e nem todo formato favorece a verdade. Sem esse cuidado, o debate perde utilidade e se transforma apenas em mais ruído — exatamente o tipo de ruído que precisa ser filtrado.

E por isso o primeiro passo é consideravelmente dizer o óbvio: bloquear qualquer perfil irrelevante que não tem o objetivo de fazer você crescer.

Segundo passo: Livre mercado sexual e o que você faz com seu esforço

Saber que o livre mercado é o único meio de troca que permite sanar, através do voluntarismo, suas necessidades reais de sobrevivência e utilidade prática não significa que ele deva reduzir tudo a mera sobrevivência material.

Suas necessidades sexuais (você sendo homem ou mulher) e o desejo por um parceiro ideal não são meros caprichos de prazer sem utilidade real. Elas fazem parte da árvore profunda de necessidades subjetivas, mas também biológicas, emocionais e existenciais que cada indivíduo carrega. Querer uma esposa ou marido que realmente valha a pena não é apenas luxo ou entretenimento: é uma busca por realização, estabilidade afetiva, reprodução, companheirismo e sentido — elementos que, para muitos, possuem valor tão alto quanto as necessidades materiais básicas.

Cabe a você (leitor) decidir o que é necessário e o que é digno do seu esforço, tempo e dinheiro.

No mercado sexual e afetivo, assim como em qualquer outro aspecto da vida voluntária, as pessoas trocam valor por valor. Desejar um parceiro de alta qualidade — atraente, fiel, compatível, com bom caráter — não é “inútil” nem “mero prazer sem utilidade real”. É uma demonstração profunda de que o ser humano não vive só de pão, nem só de esforço produtivo bruto. Ele também busca beleza, conexão emocional, lealdade, reprodução e prazer mútuo sustentável.

O livre mercado permite que cada um revele, através de suas escolhas voluntárias, o que realmente valoriza. E valorizar um cônjuge ideal não é sinal de superficialidade ou fraqueza. É sinal de que você reconhece que algumas das maiores utilidades da vida são subjetivas, difíceis de quantificar, mas profundamente reais — e que elas também merecem seu esforço, seu tempo e, somente depois, seu dinheiro.

Cabe a cada um definir sua própria hierarquia de valores, respeitando que o esforço é o criador originário de tudo que tem valor real. E viver com as consequências dessa escolha.

Submissão ao entreterimento feito por crianças-mentais

Sério… Ainda me causa estranheza escrever isso para tantos aliases na internet.

Ter controle sobre o que você consome deveria ser a atitude mais básica e racional de qualquer pessoa que não quer ler, assistir ou se expor a algo que não lhe faz bem. Na prática, este post nem deveria precisar existir como “conselho”. Mas por razões subjetivas, espero que ajude alguém de forma positiva e gratuita.

Saber o seu lugar é um ato simples, comum e extremamente maduro. O instinto natural de proteção aos filhos sempre foi resumido na frase: “Ponha-se no seu lugar”. Todo grito é signo da sua tonalidade (pode ser um pedido de ajuda, socorro, ou uma expressão emocional). Todo pedido em síntese é um chamado. Por isso, a busca por relacionamentos duradouros e estáveis se torna essencial para quem realmente chegou à vida adulta.

É exatamente por isso que homens e mulheres mal-resolvidos são os principais responsáveis por poluírem o ambiente digital com discussões intermináveis sobre hipergamia, patriarcado, feminismo e sócio-construtivismo — num espaço já hostil, dominado majoritariamente por gente imatura.

No Brasil, o acesso precoce e massivo a celulares e internet contribui para essa imaturidade digital. Em 2024, 88,9% da população de 10 anos ou mais (cerca de 167,5 milhões de pessoas) possuía telefone celular para uso pessoal — um salto em relação aos 77,4% de 2016.1 O país está entre os líderes mundiais em tempo online, com média de aproximadamente 9h13min por dia conectados.2

Esse contato precoce com entretenimento infinito alimenta a nomofobia (medo de ficar sem o celular) e a dependência comportamental em 28–46% da população jovem/adulta, reforçando a dificuldade de autorregulação emocional.

O mesmo padrão aparece no consumo de drogas ilícitas. Segundo o LENAD III (Unifesp, 2023/2025), o uso na vida subiu de 10,3% em 2012 para 18,7% em 2023 — um aumento de cerca de 80%. O uso recente quase dobrou: de 4,5% para 8,1% (mais de 13 milhões de brasileiros).3 A maconha lidera o crescimento, com convergência entre sexos e aumento expressivo entre mulheres adultas.

Globalmente, o Relatório Mundial sobre Drogas 2025 (UNODC) registra 316 milhões de usuários de drogas ilícitas em 2023 (6% da população de 15–64 anos), número que cresceu mais rápido que a população mundial.4

Tanto o vício em telas quanto o uso de substâncias ativam os mesmos circuitos de recompensa cerebral (dopamina) e podem hiperativar a amígdala — estrutura responsável pelo processamento de medo, agressão e respostas emocionais rápidas. Quando desregulada por estímulos constantes, ela dificulta o controle emocional e a comunicação madura. O resultado é exatamente o que vejo: debates tóxicos, gritos digitais intermináveis e ausência de responsabilidade na forma como nos comunicamos.

No final, tanto o entretenimento passivo quanto as drogas funcionam como escapismo para quem ainda não aprendeu a “se colocar no seu lugar”. A falta de responsabilidade individual na comunicação e no consumo só perpetua o ciclo de imaturidade coletiva. Seja você homem ou mulher. Cabe somente a você sair disso. Não estou dizendo que a realidade não se comporta como os integrantes do tal “movimento red pill”. Muito menos me posicionando contra mulheres irresponsáveis. A questão é que em um ambiente decentralizado, a única forma de você ganhar algo com isso: é filtrando os pares que você se comunica.

Uns irão reagir cada vez mais radicalizados. Outros irão procurar ajudas em psicólogos ou em grupos de interesse. Tudo porque infantilóides não conseguem fazer o simples: filtrar o que consome. É estúpido. E não vai ser com gritos online que isso vai mudar.

Live long and prosper… blacklisting the noise. 🖖


  1. IBGE (2025). PNAD Contínua – Acesso à Internet e à televisão e posse de telefone móvel celular para uso pessoal 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/44032-no-brasil-88-9-da-populacao-de-10-anos-ou-mais-tinha-celular-em-2024 ↩︎

  2. O Globo (2023). “No Brasil, 85% das crianças têm acesso a internet e mais da metade já tem celular”. Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/11/09/no-brasil-85percent-das-criancas-tem-acesso-a-internet-e-mais-da-metade-ja-tem-celular.ghtml (dados IBGE 2022, tendência mantida nos anos seguintes). ↩︎

  3. LENAD III – Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Unifesp/UNIAD, 2025). Cadernos temáticos sobre consumo de substâncias. Disponível em: https://lenad.uniad.org.br/ ↩︎

  4. United Nations Office on Drugs and Crime (UNODC). World Drug Report 2025. Disponível em: https://www.unodc.org/unodc/en/data-and-analysis/world-drug-report-2025.html ↩︎

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